Um dia desses eu estava assistindo ao Globo Repórter com o objetivo de ver as abordagens acerca de fenômenos ditos pela ciência como paranormais, quando, para minha surpresa, dentro do programa, houve um pequeno espaço de tempo distinado à discussão de um assunto ainda mais interessante: o luto. Realmente não havia assunto mais pertinente para eu escutar nos últimos tempos.
Como enfrentar o luto? Eis a pergunta-chave da discussão. Como?
"Perder" alguém querido pelas portas da morte é uma dor tão dilacerante que cada vez mais são desenvolvidos projetos e pesquisas na tentativa de amenizar o impacto da tal "perda" nas vidas das pessoas. Há quem diga que está preparado para o dia em que terá que se afastar de alguém muito importante. É... Há quem diga, mas que não me convence. Tanta gente já me deu uma receita pronta e fácil de como enfrentar o luto... Tanta gente já se disse PhD na maravilhosa arte de se achar superman. O engraçado é que esse tanta gente nem se lembra de que até superman sofria. Doido para ter uma vida normal ao lado de sua amada, superman se via obrigado a se afastar de seu amor em nome de algo maior e inevitável. Sim... Superman sofria, mas não deixava de ser superman.
Foi esta a conclusão que cheguei ao ver na televisão uma certa família, mais específicamente uma certa mulher. Seu marido morreu quando ela estava para dar à luz ao seu primeiro filho. E que belo filho! O Cisco é um cisco de gente tão lindo. E os olhos babões da mãe? Imersa a dor de uma perda e na alegria de uma dádiva recebida, essa mulher mexeu comigo.
Desde então, tenho pensado muito no que li em seu blog e em suas palavras na reportagem.
Quanta força, meu Deus! Quanto amor!
Será que eu matei meu amor? Essa é agora a pergunta de que faço todos os dias.
Ainda não cheguei a uma resposta. Espero sinceramente que o amor não morra nunca.
Mas se o amor não morre... O que será que fiz de mim e do meu amor? O que será que eu fiz da minha coragem tão elogiada há 2 anos e hj tão esquecida por mim mesma?
Queria saber se ainda dá tempo de resgatar tudo o que eu sentia. Se ainda dá para reparar os meus erros para comigo e para com o Anderson. O erro de ter alimentado a dor e a falta de amor próprio. Eu tinha tanto amor... Na verdade, eu queria mesmo era recomeçar e fazer tudo da forma mais amorosa possível.
Um tal de Chico (que não é o Cisco da Cris) disse uma vez: não dá para voltar ao passado e fazer um novo começo, mas dá para começar agora e fazer um novo fim...
Também tenho pensado nisso... Mas será que ainda dá para resgatar? Como fazer isso, meu Deus?
Hoje vi as fotos do meu amor... Tão lindo e tão Corajoso! E eu morrendo de medo do dentista!
Aí fico pensando: "Por que não aprendi mais com ele quando tudo estava tão mais mutável?"
A mulher-coragem da reportagem não deixa de sofrer, sabe? Mas ela tem um brilho no olhar...
Escrevi até um e-mail para ela perguntando: "Como você consegue?" Eu realmente queria saber como faz... Se ela me responder, eu conto aqui. Mas se não responder, eu chego lá sozinha e também conto aqui.
O importante é perceber as coisas, sabe?
É estar observando tudo.
Nossa vida é como um filme e nós somos os expectadores. Que tal começar a mudar as cenas dessa história e devolver ao casal protagonista a felicidade e a proximidade que só o amor é capaz de proporcionar?