Saturday, July 15, 2006

E mais um dia se passou...

Começa mais um dia convivendo com este vazio que machuca minha alma. Não consigo nem explicar o quão o Anderson me faz falta. Nem todas as palavras do mundo fariam com que conseguisse descrever o que sinto. Nem tendo o imenso dicionário do Anderson, datado de 1985 e sempre tão util ao seu dono em suas escritas (por mais informais que fossem) seria capaz de me ajudar na dificil tarefa de tentar fazer com quem alguém um dia me entendesse.Mais uma vez os ditos populares ganham o meu aval: "os sentimentos são pra ser sentidos e não explicados". Sendo assim, estou sozinha nisso tudo. E isso ainda aumenta mais a minha dor. Porque nunca senti solidão perto do meu amado... porque mesmo quando as palavras não bastavam tinhamos um ao outro e isso sempre nos bastava... Incontaveis vezes conseguiamos nos entender apenas com um olhar... Por incontaveis vezes nos pegamos olhando fixamente um nos olhos do outro, porque era ali que tudo fazia sentido... Por incontaveis vezes choramos juntos ao cogitarmos a possibilidade de uma separação... nem que esta fosse apenas para eu pegar as minhas coisas e voltar de vez para os braços dele.Sim, meus amigos, porque choramos juntos todas as vezes que precisavamos nos despedir... porque choramos juntos todas as vezes que nos viamos afastados pelos 2520km que existem entre BH e Fortaleza... E choravamos porque nada nesse mundo nos traria mais sofrimento do que esse afastamento... Lembro da vozinha dele me dizendo: "irlena, eu não aguentaria ficar longe de você... fica vai... por favor, fica." Nunca poderia descrever o que era para mim ouvir aquilo... o que era para mim cogitar a possibilidade de voltar para minha cidade... choramos e choramos muito aos constatarmos da proximidade deste dia... Nunca imaginamos que a nossa separação seria muito maior do que os 2520km... Ele foi para um outro plano... onde tudo e nada é possivel... Hoje, choramos, e choramos muito, por não termos mais a possibilidade de nos ver nem que fosse pela última vez... Como ele me faz falta..

Wednesday, July 05, 2006

Hoje eu chorei com o caminhão de gás (Tati Bernardi)

A primeira coisa que eu vi quando abri os olhos foi a minha cachorrinha me espiando triste do corredor, eram quatro da manhã e eu já sabia que não iria dormir mais. Meu sono é interrompido de duas em duas horas por um pânico horrível que paralisa meus órgãos e só deixa viva a bile que toma todo o meu corpo e me faz querer vomitar até virar do avesso. Eu arregalo os olhos para o teto, fecho minhas mãos com uma força que quase faz com que minhas unhas cortem minhas palmas e deixo a onda da dor vir, ela me sacode inteira, me joga numa profundidade sem som e me afoga por completo. Abro as janelas porque preciso de ar, mas nunca tem ar para meu pulmão afogado. Coloco o santinho que meu avô me deu no peito e peço a ele: você já morreu por amor, não deixe acontecer o mesmo comigo. Amar dói tanto que você volta a lembrar que existe algo maior, você se lembra de Deus, você se lembra de vida após a morte. Amar dói tanto que você fica humilde e olha de verdade para o mundo, mas ao mesmo tempo fica gigante e sente a dor da humanidade inteira. Amar dói tanto que não dói mais, como toda dor que de tão insuportável produz anestesia própria. Você apela pra todo e qualquer santo, pra cartomante, pra ex-namorado, pra tarólogo, astrólogo, psicólogo, numerólogo, amigo e apela até pra inimigo. Qualquer um, pelo amor de Deus, tire essa dor de mim. Não adianta, não vou dormir mais. Mas vou fazer o que então? Minha cama me lembra você, minha cachorra me lembra você, beber água me lembra você, viver me lembra você. Vou me levantar agora e ir para onde? Tomar banho? Tomar café? Não tenho nenhuma vontade de existência, seja de vaidade ou gula. Só quero ficar deitada, mas ficar deitada também dói. O mundo não tem posição confortável pra mim, aonde vou, essa merda de dor horrível vai junto. Chorar não adianta, eu seco de tanto chorar e não passa. Ver TV, falar ao telefone, dançar, gritar, escrever, abraçar minha mãe, tomar suco de manga… nada adianta. (...) Minha cachorra pede um biscoitinho, aí eu choro porque eu lembro que você adorava dar biscoitinho para ela. Está sol, e eu choro porque você ficava feliz com o sol e você feliz era tão perfeito que eu tinha medo. Aí eu vou escovar meus dentes e choro porque você tirava sarro da minha escova (...). Eu abro o guarda-roupas e choro porque eu não quero ficar bonita, eu não quero dar a volta por cima, eu não quero ficar bem pra você ver que eu estou bem e quem sabe ter saudades. Choro porque acho ridículo os jogos da vida, qualquer coisa é ridícula perto desse amor que é tão simples e óbvio. Quando finalmente eu consigo me arrumar em meio a esse rio de lágrimas, eu choro porque o caminhão do gás passou e aquela musiquinha idiota, mais algumas crianças berrando na quadra lá embaixo e mais dois passarinhos cantando na minha janela, me lembram que a rotina, a alegria e a pureza ainda existem, apesar de você não estar mais aqui. Nada, nada aconteceu para o mundo. E eu me sinto minúscula e sozinha por não ter a cumplicidade da vida lá fora, por não ter um minuto de silêncio pela nossa morte, por ter que sentir tudo isso sozinha, entre escovas de dentes (...) e roupas dobradas e cheirosas. Odeio a ordem de tudo, odeio a funcionalidade de tudo, odeio que a TV ligue, que o telefone toque, que meu estômago peça comida, que japonesas riam fora de hora, que meu carro corra, que a bola quique duas vezes antes (...). (...) Meu lado da frente está quase colando ao de trás, talvez na falta de você eu precise mesmo me juntar mais a mim mesma. Minha mesa está lá, meu lixo está lá, minha cadeira, a menina grande que fala igual a um homem, a gordinha solícita que não pára de me olhar até que eu olhe para ela, sorria e diga bom dia. Está tudo lá, mas você, mais uma vez, não está aqui. Vou para o banheiro e choro, que novidade? Mas dessa vez porque me olho no espelho, e isso também me lembra você. Eu era sua, a sua menina, a sua criança, a sua mulher, a sua escritora predileta, a sua parceira de dar risada de programas estúpidos que passam de madrugada na TV, a sua namorada sensível que tinha medo de vomitar e de amar demais, assim como você. A sua melhor amiga pra sentar num banco de praça e falar mal de todo mundo (...) ou pra cuidar do nosso [cachorrinho] de pelúcia. Eu era a mulher que encaixava a cabeça nas suas costas e sabia que tinha nascido a partir de você, eu era a mulher que esperava sofridamente você voltar mas nunca deixou de te amar mesmo quando você ia. Todo mundo me fala que eu preciso ser minha, inclusive pra ser sua, mas eu não deixo de olhar para o espelho e ver uma metade de gente, uma metade de sonho, de sexo, de alegria e de futuro. Que se foda a auto-ajuda, que se fodam os livros com homens carecas, que se foda o terceiro olho (do cu?) e que se foda a psicologia: eu sou mesmo metade sem você e que se foda! Se antes de você aparecer eu já te amava, eu já te esperava, eu já sabia que você existia, como eu posso não te amar agora que você [teve na minha vida] forma, sorriso, coração e nome?


*Se essa menina tivesse escrito sobre mim, num seria tão acertiva! hehehe

Monday, July 03, 2006

desabafo!

Hoje me sinto tão cansada disso tudo. Queria que isso fosse um pesadelo. Mas se pensarmos bem, podemos seguir a crença de alguns de que a vida é um sonho... Que ótimo! É sinal que essa merda toda vai acabar mesmo. Queria saber o porque disso tudo... muitos dizem que viemos aqui para uma missão... Qual seria a minha? Aguentar caladinha a idiotice de alguns? Ou seria ser alvo da indiferença de outros? Caramba! Será que é tão dificil assim ser amigo dos outros? Deus deu 2 ouvidos e 1 boca... mas nos comportamos como se não tivessemos ouvidos e tivessemos 1 milhão de bocas, e com linguas cheias de veneno!
Egoísmo! Este é o mal do mundo! Somos um bando de egoístas e ainda acreditamos ser grandes coisas! Santa ignorancia!

Saturday, July 01, 2006

Uma noite inesquecível...

Fim do dia na terra do sol.
Mãos entrelaçadas andavam sob o céu estrelado.
Palavras docemente trocadas revelavam segredos.
Emocionada, eu observava aquela praça que outrora fora cenário de minha infância.
Ele deitado sobre meu colo, cerrou os olhos, pensativo.
Num movimento convergente, nossos jovens rostos se encontraram.
Os olhares se cruzaram e nos envolveram deliciosamente numa explosão de amor
Paralisados... As almas conversam silenciosamente
Lágrimas molharam delicadamente minha face
Tudo perde a importância
O tempo passa...
Tudo passa...
E aquelas almas caminham de mãos dadas pela eternidade...

Um dia de Carnaval

Era o fim daquela etapa da coleta de células-tronco. Naquele momento, fomos informados que possivelmente o Anderson teria que voltar a fazer àquele processo, já que o número de células-tronco parecia ter sido insuficiente. Aproveitando que precisaria de uma confirmação da sua volta a Juiz de Fora, o Anderson pediu uma consulta com o Dr. Abraão. Seu objetivo era ter a exata noção de tudo que estava acontecendo. A consulta foi marcada para o dia seguinte às 10h da manhã. Passaríamos mais um dia em Juiz de Fora.Saímos do Hemominas mais uma vez por volta das 19h: cansados e famintos, mas tranqüilos em saber que aquele fora o ultimo dia dessa etapa tão cansativa (pelo menos por enquanto). O Anderson ainda se via livre daquele cateter que tanto o incomodava. Mais uma vez, seguimos a pé nosso caminho até a rua Halfeld. O Anderson parecia animado em sair pela cidade, ver gente e se divertir. Era a primeira vez naquela cidade que nos sentíamos livres para isso, apesar de exaustos. Saímos do hotel em busca de um lugar para jantarmos. A cidade estava toda em clima de carnaval. Estávamos encantados com o que víamos. Adultos e crianças: todos fantasiados para brincar em pleno centro da cidade. Andamos pela cidade, até que encontramos um restaurante cujo orçamento parecia caber no nosso bolso. Estávamos famintos de uma comida saudável e gostosa. Então entramos. Era um restaurante pequeno e aconchegante. À meia luz, os poucos clientes, todos casais, jantavam discretamente. Escolhemos uma mesa, sentamos e fizemos o pedido. O Anderson parecia encantado com a noite que estávamos tendo. Confesso que eu também. Há tempos merecíamos uma noite em que nos comportássemos como um jovem casal de namorados. Estávamos ali. Felizes e livres, não havia mais nenhuma responsabilidade ligada a procedimentos médicos. Éramos apenas um casal apaixonado.
De repente, o Anderson propôs que trocássemos de mesa. Ele queria ficar mais perto da janela para acompanhar o movimento da rua. Avisamos ao garçon e nos dirigimos a uma mesa no canto do restaurante. Ele sentou de modo a observar, encantado, os brincantes de carnaval. Era um jantar digno de cena de romances: nós ali, de mãos dadas, em um restaurante simples, mas charmoso, observando pela janela um bloco passar ao som de antigas marchinhas de carnaval. Sentia-me uma Chiquinha Gonzaga em sua última cena na minissérie. Observava atentamente o Anderson enquanto ele, empolgado, comentava aquela noite e saboreava seu bobó de camarão. Ali, mais uma vez, eu tive certeza: este é o homem da minha vida!Eu estava tão feliz que chaguei comentei: “Eu poderia morrer agora! Eu morreria feliz!” E ele sorriu adoravelmente e me beijou...Terminado o jantar, saímos do restaurante e seguimos andando pelo centro da cidade, conversávamos sobre a magia daquela noite, a saborosa comida, constatando sempre a benção de estarmos juntos. Caminhávamos com as mãos entrelaçadas quando encontramos um trio elétrico em meio à avenida Rio Branco com muitos foliões a sua volta. Paramos por alguns minutos a observar, surpresos pela tranqüilidade que era o carnaval naquela terra. Infelizmente, constando que estávamos atrasados para encontrar a Dani na Stand Up, convidei-o a voltar ao hotel e depois encontrarmos nossa amiga. E voltamos em direção a rua Halfeld.
O Anderson não estava em clima para boate e preferia encontrarmos logo a Dani e avisa-la que estávamos cansados demais para ver o show daquela noite. Então, fomos à boate. A Dani estava logo na entrada, conversamos um pouco e anunciamos nossa retirada estratégica para o hotel. Apesar dos apelas da nossa amiga, estávamos muito cansados e achamos melhor não ficar. Despedimo-nos dela e seguimos. Na volta ao hotel, o Anderson propôs que voltássemos ao trio elétrico na Rio Branco. Ele havia gostado daquela proposta de divertimento: musica, ar livre, pouca gente... Chegando lá ficamos num canto observando as pessoas. Abraçados, dançávamos, conversávamos e namorávamos ao som de muito axé. Apesar de eu não ser muito fã deste ritmo, foi muito divertido. Ao final da festa, caminhamos até o hotel. E mais cansados e felizes do que nunca, dormimos abraçadinhos... Eis uma noite perfeita...