Wednesday, December 19, 2007

Existe um trecho de livro que descreve exatamente o presente momento da minha vida:


"(...) mas ainda consigo lembrar-me de tudo o que sucedeu naquele ano, até ao mais pequeno pormenor. Recordo-o várias vezes, dando-lhe vida de novo, e percebo que quando o faço sinto sempre uma estranha combinação de tristeza e alegria. Há momentos em que me apetece fazer com que os ponteiros do relógio andem para trás e livrar-me de toda essa tristeza, mas tenho a sensação de que, se o fizesse,desapareceria também a alegria. Assim, fico com as recordações à medida que elas surgem, aceitando-as todas, deixando que me guiem sempre que possível. Isto acontece com mais freqüência do que eu gostaria de reconhecer." (N.S)



"Nada impedirá minha alma de amar a tua. Não importa quantos precipícios se interponham entre nós. Amar-te-ei por toda a eternidade, cada segundo. Como se fosse um dia só."
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"Pela janela do teu olhar, descobri um mundo cheio de luzes e esperança. Vi-me acordando de um pesadelo de trevas e indiferenças inexplicáveis. Conheci um mundo sem preconceitos e pudores, sem tabus ou excessões. Pela janela do teu coração, conheci a magia e o mistério, a poesia e a alegria. Vi-me flutuando nas nuvens no direito de receber o que nestes anos todos me foi negado. Pude perceber minha beleza interior e tomar conciência da força que tenho. Nas tuas mãos encontrei o amparo, a segurança, a coragem, a calma que tanto esperei. Nos teus passos encontrei os caminhos certos, passagens de mistério e ousadia. Nas tuas palavras encontrei a mansidão, a beleza e o entusiasmo. Pela janela do teu olhar, conheci este mundinho especial e único, repleto de amor e carinho, desejos e loucuras, beijos ardentes e tesão sem medidas. Pela janela do teu olhar, conheci você, alguém que esperei por todo esse tempo. Pela janela do teu olhar, descobri que valeu a pena ter aberto a janela da sua alma..."

Monday, December 17, 2007

"Saudade
É querer voltar num tempo que não existe mais...
É de repente a gente não se bastar e arrastar uma solidão infinita
Saudade é procurar fugir pra todos os lugares
é tentar parar o pensamento e achar outro pensamento
e querer não chorar quando escuta uma música que era parte de um passado feliz.
É querer que o tempo volte
e que talvez nada tenha existido para que não existisse agora essa dor horrível
ou talvez que tudo tivesse existido para que sempre houvesse o que recordar."

Saturday, December 15, 2007





Deitado no meu colo, ele continuava calado. Acariciei seu rosto e tirei-lhe o boné. Foi quando ele interrompeu o silêncio pronunciando o meu nome:
– Irlena...
– Oi?
– Você tem certeza de que me ama? – Indagou meu amado olhando para o nada.
– Tenho, Anderson... – Respondi sem entender.
– Por quê?
Eu fiquei meio confusa com tantas perguntas, mas continuei a responder.
– Olha, Anderson, se eu não te amasse, você acha que eu estaria aqui? – falei olhando em seus olhos – Saiba que eu não estaria. Estou aqui porque eu amo você!
– É... – disse Anderson pensativo.
O silencio se instalou novamente até que eu tentei sondar o que se passava pela cabeça dele.
– Mas porque você me pergunta essas coisas?
– É... É porque eu te amo tanto, sabe? Eu tenho essa certeza de que te amo... – Confessou ele, emocionado.
Ele olhava fixamente nos meus olhos como se dissesse muito mais do que sua voz poderia externar. Anderson parecia com medo de não estar sendo correspondido, de sofrer. Não sei bem o que era. Fiquei atônita e emocionada com o que acabara de ouvir. Era a primeira vez que Anderson falava pessoalmente sobre seu amor por mim. Não tinha mais motivos para insegurança.
Aproximei meu rosto do dele de forma que não perdêssemos o contato visual. Nossos lábios tocaram-se ternamente. Com o braço direito, acariciei-lhe a face, perdendo-me definitivamente em seus braços.


(Trecho retirado do meu manuscrito sobre nossa história)

“(...) muito maior do que a distancia física, pode ser nossa proximidade espiritual. Os sentimentos que nutrimos um pelo outro podem ainda não aparentar uma jóia rara. Sei que eles precisam ser lapidados cuidadosamente a cada dia, como em qualquer relacionamento. Mas, pelas circunstancias em que tudo está acontecendo, eles têm tudo para virar um diamante: límpido, duradouro e precioso. E eu realmente não gostaria de perder esta oportunidade. Espero que você também não”. Irlena.

(Trecho de uma carta minha endereçada ao Anderson)

"Estou um pouco desnorteada como se um coração me tivesse sido tirado, e em lugar dele estivesse agora a súbita ausência, uma ausência quase palpável do que era antes um órgão banhado da escuridão diurna da dor. Não estou sentindo nada. Mas é o contrário de um torpor. É um modo mais leve e mais silencioso de existir...." (Clarice Lispector)
""Grite", ordenei-me quieta. "Grite", repeti-me inutilmente com um suspiro de profunda quietude. (...) Mas se eu gritasse uma só vez que fosse, talvez nunca mais pudesse parar. Se eu gritasse ninguém poderia fazer mais nada por mim; enquanto, se eu nunca revelar a minha carência, ninguém se assustará comigo e me ajudarão sem saber; mas só enquanto eu não assustar ninguém por ter saído dos regulamentos. Mas se souberem, assustam-se, nós que guardamos o grito em segredo inviolável." Clarice Lispector
"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma bênção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo." Clarice Lispector
“Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, todos vazios de tua presença. Me dê a coragem de considerar esse vazio como plenitude. Faça com que eu seja a tua amante humilde, entrelaçada a ti em êxtase. Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o amor materno que nutre e embala. Faça com que eu tenha a coragem de te amar, sem odiar as tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo. Faça com que a solidão não me destrua. Faça com que minha solidão me sirva de companhia. Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar. Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. Receba em teus braços o meu pecado de pensar.” Clarice Lispector
"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro... há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu...Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma". Clarice Lispector
"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!..."(Clarice Lispector)


Eu às vezes acho que nem preciso escrever mais nada... Clarice já falou tudo!