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Esse negócio de inferno astral existe. Não. Não aconteceu nenhum acidente. Não escorreguei no banheiro. E juro: não atropelei nenhuma formiga. É que o mês de agosto remete sempre lembranças do que nunca existiu. Nunca partiu (nem veio) aquele feliz aniversário. O que nunca existiu sempre aperta meu peito. Eu tendo a não gostar do meu aniversário por conta desse aperto. Ao mesmo tempo, são nessas horas que recorro mais uma vez à imagem de um abraço, de um cafuné, de um olhar. Algo distante. De outrora. Algo que muitos que hoje me conhecem nem sabem que existe. Algo que moldou, transformou, marcou. O mais engraçado, querido, é que terapeuta sente isso.. Eu não gosto quando ela sente. Porque quando ela sente, ela pergunta. E eu prefiro não responder. Responder faz lembrar. Responder faz chorar. Prefiro assim: o silêncio do meu grito. Fui inventar de, depois da consulta, ouvir música. Ouvir música não presta. Faz lembrar. Eu já disse que prefiro o silêncio? Meu silêncio te chama. Sempre chamou. Sempre chamará. Sabe, são... Nossa... São 5 anos. Tem noção do que isso significa aqui? Tudo passou. A dor passou. A raiva passou. A tristeza passou. Às vezes, até a lembrança passa. As coisas mudam e eu nem acreditava no tempo. Esse tal de tempo... O tempo que tudo perdoa, tudo cicatriza, tudo leva. Levou-te. Levou-me. Levou-nos. E lavou nossas almas... Deixou apenas momentos assim.. Quando falo e alguém escuta. O resto é segredo nosso.
Agosto sempre tem teu gosto. E lembrando-te.. lembro-me.
Feliz Aniversário para nós, Amorzildo.
ps. Eu te amo.
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