Olhos fixos à tela do computador. Diante de si, eternas lembranças dançam em sua mente enquanto uma remanescente lágrima acaricia-lhe a face.
Dois corpos, o amor, uma só alma. Há quem acredite em destino, vidas passadas e futuras. Há quem acredite no amor eterno. Coincidência ou destino?
O fato é que, em frente àquele mesmo computador, Ana, cearense, conheceu o mineiro Victor, que aos vinte e um anos de idade levava sua vida, há três, em função do tratamento de um câncer. Um súbito amor os envolveu e nem a enorme distância física foi capaz impedir.
Um piscar de olhos e Ana está novamente no dia em que viu seu amado pela primeira vez. Tudo o que aconteceu, durante o tempo que ela passou na capital mineira, mudou-a completamente. Adquiriu uma força surpreendente, mas também era a pessoa mais sensível do mundo: o medo de amar daquela menina-mulher deu espaço ao medo de perder.
De volta à sua casa, Ana passava os dias em frente ao mesmo computador. Irradiava-se de alegria ao falar com seu amado, ao passo que uma sombra surgia em sua face quando a saudade apertava. Belo rosto, um eclipse.
Outro piscar de olhos e Ana está em um quarto de hospital, acompanhando seu namorado em um transplante de medula óssea. Apesar do corpo de Victor estar cada vez mais debilitado, sua alma transbordava luz. Com tantas esperanças, vários planos para o futuro foram traçados.
Os órgãos do rapaz ficam cada vez mais fracos. Ele lança uma olhar apavorado cheio de amor para Ana e diz: “eu amo você!”. Repentinamente, um súbito mal-estar, seguido de uma forte falta de ar. Ana sai do quarto. E ecoam-se pelo hospital os gritos de desespero daquele jovem: “Eu preciso respirar!”Ainda com os olhos fixos à tela do computador, Ana sente o gosto salgado daquela lágrima agora morta.
Wednesday, March 21, 2007
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